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Edição nº 1793 - 17 de maio de 2023

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

UMA REPORTAGEM DA TVI sobre a figura de Nuno Marçal e o inestimável trabalho que desde há vários anos ele tem desenvolvido em fazer chegar livros às mais de quarenta aldeias do Concelho de Proença-a-Nova, fez-me recuar no tempo e lembrar o saudoso serviço de bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, criado em 1958 por sugestão do escritor Branquinho da Fonseca e que a partir de certa altura tinha as regiões mais isoladas do Interior como destinatárias das suas icónicas carrinhas cinzentas Citroën, modelo HY, carregadas de livros. Lembro bem da minha infância vivida na aldeia, quando chegava a carrinha conduzida pelo Bidarra, com Manuel Rodrigues como encarregado (diga-se que nomes como Herberto Helder ou Alexandre O’Neil também exerceram esta nobre missão), alentejano com muito orgulho, sempre bonacheirão e capaz de dar boas sugestões de leitura a quem a pedia. Este serviço que terminou em 2002, foi entretanto reativado na nossa região, numa parceria entre a Gulbenkian e a Câmara da Sertã, através do projeto Devolver a Voz à Comunidade, na sequência dos incêndios de 2017 e com a finalidade de dar acesso às necessidades mais imediatas da população afetada, levando à população não só uma biblioteca, mas também um serviço de apoio à saúde e um posto móvel do Balcão Único do Município, sem esquecer o acesso à Internet e a uma coisa tão básica como é um serviço de fotocópias.
Em Castelo Branco, a Associação Amato Lusitano, através da CLDS 4G, também tem feito chegar desde há algum tempo a todas as freguesias a sua carrinha biblioteca. Sabemos que a sua presença mensal é desejada por cada vez mais pessoas que reinventaram o prazer da leitura e sabemos também que se pretende (e se tem conseguido muitas vezes) aliar os livros ao convívio comunitário e à animação cultural, fazendo cumprir assim alguns dos objetivos para que foi criada.
Voltando a Nuno Marçal, acredito que ele foi o exemplo e a inspiração para as excelentes iniciativas que aqui referi, da autarquia da Sertã e da Associação Amato Lusitano. A sua facilidade de criar empatia com as pessoas, a maioria idosa, que habitam as pequenas e algumas delas bem isoladas aldeias do Concelho, a sensibilidade que leva ao entendimento das suas necessidades e gostos, o manifesto prazer de verdadeiramente conhecer estas gentes tão genuínas, é a chave do sucesso de um serviço que ninguém quer ver terminar um dia. Porque o que a carrinha leva à vida dos moradores daquelas aldeias é muito mais que livros. Dizia uma mulher à reportagem da TVI, que o Nuno, sabendo que ela andava entretida com o tricô, fazia questão em cada visita de lhe deixar umas revistas de tricô, para a inspirar no seu trabalho de artesã. Por tudo isto, a Câmara de Proença-a-Nova tem de se sentir orgulhosa por contar entre os seus colaboradores, com uma pessoa com a dimensão humana e profissional como a de Nuno Marçal.

17/05/2023
 

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