João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
HÁ DUAS ESPÉCIES DE FADAS: as fadas boas e as fadas más. As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más.
Este é o primeiro parágrafo, sublime de tão simples, do livro de Sophia de Mello Breyner, A Fada Oriana. Tal como as fadas também diremos que há duas espécies de influencers: os influencers bons e os influencers maus. (falamos em influencers, à inglesa, fácil seria falarmos de influenciadores, à portuguesa, mas são coisas da globalização…) São influenciadores digitais, criadores de conteúdo que construíram reputação e audiência nas redes sociais, com capacidade de impactar opiniões e hábitos de compra que utilizam plataformas como TikTok, Instagram e YouTube para chegar ao seu público-alvo, maioritariamente jovem, mesmo muito jovem, naquela idade é que é fácil ser-se influenciado. Na página três encontra, sobre este tema, a opinião profissional abalizada da Patrícia Bernardo. Aqui, vou-me limitar a enumerar alguns casos que, pelos piores motivos, têm estado em foco na comunicação. Como é o caso dos quatro jovens influencers que, mostrando falta de caráter, sem valores humanistas e sem sensibilidade, violaram uma adolescente e filmaram o ato repugnante para se vangloriarem da façanha nas redes sociais e aumentar o número de visualizações, estando agora com a justiça à perna. Igual insensibilidade no comentário ao crime, mostrou uma conhecida e influente apresentadora de televisão. As redes sociais e os media encheram-se de reações de reprovação pela atitude misógina de compreensão para com os violadores. Que quando estão no sexo não há homem que respeite o NÃO (já antes numa situação de femicídio, justificou com um “ela pôs-se a jeito”). Alguém lhe terá de explicar que a popularidade de que ela desfruta a torna ainda mais responsável pelo que diz. Poderíamos também referir aqui o caso dos maus influencers que se exibiram nas escolas a convite dos alunos em campanha para as associações de estudantes. Indivíduos com discurso misógino e sexualizado, alguns até com histórico de divulgador de pornografia, incluindo pornografia infantil, foram exibir-se na escola aos adolescentes e mesmo aos pré-adolescentes, com a tolerância de alguns responsáveis, na onda da defesa da autonomia dos alunos. Os diretores de escola que conheço nunca, em caso algum, o permitiriam.
Para terminar da melhor maneira, lembro que também existem bons influencers que promovem boas práticas alimentares e de sustentabilidade e, como os que se denominam de booktokers, porque é no TikTok e também no Instagram que este movimento jovem acontece. Cada um destes booktokers tem muitos milhares de seguidores que seguem as sugestões de leituras que apresentam em forma de vídeos curtos. E que fazem os adolescentes e jovens adultos seus seguidores, acorrer às livrarias a esgotar títulos. E é assim que se adquirem hábitos de leitura que, provavelmente, vão perdurar para a vida. Desde os 16 anos a pouco mais de 20, o seu papel na criação de hábitos de leitura é tão evidente, que são contratados por editoras para exercerem um papel de dinamizadores e influenciadores.