Joaquim Martins
Crianças em EXAME
Crianças em EXAME – Os alunos que frequentam o 4º e o 6º anos estão esta semana em exames. Exames nacionais a Português e Matemática. Por quê e para quê? Porque o Sr. Ministro acredita que os exames são indispensáveis e para que se concretize uma das medidas, definida como essencial à “ promoção do sucesso dos alunos”. Mas o Sr. Ministro não acredita na avaliação dos professores? Nem nas escolas? Acredita, claro, mas tem mais fé numa avaliação externa. Numa avaliação que verifique se “as novas metas curriculares” foram atingidas!...
Mas então não seria melhor fazer exames de ano? Ou as outras disciplinas não contam?
A originalidade portuguesa (somos o único País da União Europeia que faz exames no 4º ano) vale o esforço e os meios envolvidos? Forçar os alunos do 4º ano a deslocarem-se dois dias à escola sede do Agrupamento e a serem vigiados por professores desconhecidos para fazerem uns testes chamados “exames nacionais” melhora as aprendizagens? Motiva os alunos para o sucesso?
As escolas e os professores melhoram os seus níveis de autoestima e empenhamento com estas manifestações de confiança do Ministério? O Ministério quer mesmo dar mais autonomia às escolas?
Continuar a acreditar que as “retenções” no Ensino Básico, bem como os seus mecanismos de justificação são medidas pedagogicamente adequadas é um erro que tem custos enormes para o País. Lembremos os números: As taxas de retenção eram em 2011: 4º ano: quatro por cento; 6º ano: oito por cento; 9º ano: 15 por cento. Foram em 2014: 4º ano: 4,6 por cento; 6º ano: 16,1 por cento; 9º ano: 19 por cento. Em 2015? Veremos. Mas que se passou? Alguém ganhou?
É no mínimo estranho que o Ministério não dê qualquer crédito aos pareceres do Conselho Nacional de Educação que, há muito, provaram que as retenções não são solução. O caminho é dar autonomia e meios às escolas para que elas possam garantir que todos os alunos aprendem de acordo com as suas capacidades. E que todas tenham sucesso educativo. Mesmo sem sucesso escolar!