Edição nº 1728 - 9 de fevereiro de 2022

REGIÃO DE CASTELO BRANCO
Quercus faz balanço de 2021

A Quercus de Castelo Branco fez um balanço ambiental de 2021 na região de Castelo Branco apresentando, em comunicado, aqueles que considera os piores e os melhores factos ambientais do ano passado.
No que se refere aos piores factos são apontadas as violações ao Plano de Ordenamento da Albufeira de Santa Águeda e Pisco (POASAP), que “persistiram e intensificaram-se”, uma vez que “no terreno um conjunto de obras e atividades continuam a decorrer ilegalmente junto da Albufeira de Santa Águeda na área de proteção, nomeadamente construções ilegais, mobilização de solos, destruição de carvalhais e vegetação natural, visitação desordenada, aplicação de pesticidas, entre outras. A presença regular de peixes mortos e as alterações significativas das características de cor e cheiro da água indiciam contaminação e eutrofização da Albufeira”.
Por outro lado é denunciado que a agricultura superintensiva, de amendoais e olivais, “destrói habitats. São vários os problemas ambientais que têm vindo a ser relatados devido à instalação destas monoculturas superintensivas principalmente nos concelhos de Idanha-a-Nova e Fundão e que tem a ver com a contaminação do ar, dos solos e da água, diminuição de biodiversidade, nomeadamente com a destruição de montados e habitats naturais, áreas de REN e RAN, com evidente degradação dos solos, entre outros, sobretudo derivados às práticas utilizadas e aos produtos agrotóxicos usados regularmente nos tratamentos”.
As atenção estão também centradas nas centrais de bio-massa do Fundão e Vila Velha de Ródão, com a Quercus a realçar que “tem acompanhado com atenção e elevada preocupação o impacte ambiental que a nova Central de Biomassa do Fundão (CBF) tem provocado na região, principalmente junto das habitações da população residente mais próxima desta unidade industrial. Os elevados níveis de ruído e a libertação de poeiras provenientes da trituração da madeira continuam no dia a dia, inclusive durante o período noturno. A Quercus também confirmou no terreno que a CBF está a queimar, na totalidade ou praticamente na totalidade, madeira de qualidade, não utilizando, como seria desejável e está contratualizado, biomassa residual. Apesar de ter sido notificada a central as ilegalidades mantém-se no terreno com claro prejuízo para o ambiente e as populações residentes. Já em Vila Velha de Ródão a central de biomassa persiste em contaminar o ambiente. Apesar de processos judicias e embargos continua a funcionar parcialmente fora da lei e pondo em causa a saúde pública e o ambiente”.
Para a Quercus também não restam dúvidas que “as grandes infraestruturas ameaçam o ambiente e a qualidade de vida”, com os olhos postos na construção do IC31 e da Barragem do Alvito e na exploração de lítio.
Assim, afirma que “a intenção do Governo de construir o IC31. Uma estrada numa região com elevado património natural e cultural (concelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova), põe em causa o modelo de desenvolvimento sustentável e terá um impacto ambiental e social negativo muito significativo, nomeadamente ao fragmentar e destruir habitats, provocar mortalidade de fauna, aumentar o ruído e e poluição, vai por em causa investimentos no turismo de natureza, degradar a paisagem e a qualidade de vida das populações, entre outros”.
Por outro lado defende que “a intenção de construir uma albufeira no Rio Ocreza (Alvito) representa um retrocesso das políticas de defesa da qualidade da água e de conservação da natureza, quando a Europa e o Mundo estão a remover barragens e a recuperar a conectividade natural dos rios”.
Já quanto à “possibilidade de exploração de lítio na região em duas áreas, na Serra da Argemela e em Segura (Idanha-a-Nova), podem por em causa as áreas protegidas e a qualidade de vida das populações”.
A Quercus também não esquece a Central Nuclear de Almaraz, ao referir que “o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol emitiu um parecer em que autoriza o prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz, em Espanha, até outubro de 2028. A Central Nuclear de Almaraz fica situada junto ao Rio Tejo, na província de Cáceres, em Espanha, a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal e tem tido incidentes com regularidade, onde se incluem as duas paragens recentes dos reatores, devido a avarias detetadas e existindo mesmo situações em que já foram medidos níveis de radioatividade superiores ao permitido. Portugal pode vir a ser afetado, caso ocorra um acidente grave, quer por contaminação das águas, uma vez que a Central se situa numa albufeira afluente do Rio Tejo, quer por contaminação atmosférica, pela grande proximidade geográfica existente. Para além disto, Portugal não revela estar minimamente preparado para lidar com um cenário deste tipo, pelo que a acontecer um acidente grave, isso traria certamente sérios impactes imediatos para toda a zona fronteiriça, em especial para os distritos de Castelo Branco e Portalegre”.
Outro dos pontos abordados tem a ver com a poluição nos rios e as plantas invasoras. Matéria em relação à qual adianta que “são vários os rios e cursos de água da região que continuam com problemas de poluição, por funcionamento deficitário de ETARS, por descargas de efluentes sem tratamento, por poluição difusa da agricultura intensiva. Os rios Tejo, Ponsul e Aravil, a Ribeira de Alpreade, a Ribeira do Taveiró ou a Ribeira da Sertã são apenas alguns exemplos. Em 2021 aumentou a regularidade e a intensidade destes fenómenos, contribuindo ainda mais para a degradação da qualidade de água dos rios na região. O aumento da concentração de nutrientes provenientes da poluição deve-se em parte aos teores elevados em fósforo, um dos parâmetros que foi responsável pelo estado ecológico inferior a Bom, no troço do Rio Ponsul, entre a Senhora da Graça (junto a Idanha-a-Nova) e a Albufeira de Cedillo (Espanha) e que tem origem nos setores urbano, agrícola e pecuário. Este tipo de bloom de algas, está normalmente associado a um feto aquático a Azola (Azolla filiculoides), uma espécie de planta aquática exótica invasora, que prolifera quando as massas de água se encontram estagnadas e poluídas por fosfatos e nitratos, formando tapetes densos de vegetação à superfície. Estes fenómenos provocam uma diminuição da entrada de luz nas massas de água e fazem baixar o nível de oxigénio dissolvido na água, degradando ainda mais a sua qualidade. Este tipo de fenómenos é indicador de desequilíbrios nos ecossistemas e são uma consequência da poluição, levando assim à eutrofização dos rios e provocando uma acentuada degradação da qualidade das massas de água”.
A Quercus, por outro lado, também tem em consideração os melhores factos ambientais de 2021, referindo que espécies em perigo recuperam, sendo que o lobo e lince regressaram à Região. Avança que em 2021 “se consolidou a presença na região de Castelo Branco de espécies ameaçadas nomeadamente o Lobo ibérico (Canis lupus signatus) e o Lince ibérico (Lynx pardina), que há várias décadas não tinham uma presença regular. São uma boa notícia e um desafio para a sua conservação na região.
O abutre-preto (Aegypius monachus), classificado como criticamente em perigo em Portugal, é uma espécie que tem o seu principal núcleo reprodutor, 28 casais (70 por cento da população nacional) no Parque Natural do Tejo Internacional, e este ano (2021) continuou com a tendência de crescimento da população.
A Águia Imperial Ibérica (Aquila Adalberti) uma das aves de rapina mais ameaçadas da Europa também manteve a sua população com três casais na região”.
Para a Quercus é igualmente de realçar que “2021 foi o ano com o menor número de incêndios desde 2011. A análise provisória relativa aos incêndios rurais entre 1 de janeiro e 31 de agosto de 2021 revela que este é o ano com o menor número de incêndios desde 2011 e, na mesma década, o segundo com menor área ardida. Segundo os dados do Sistema de Gestão de Informação dos Incêndios Florestais (SGIF) em 2021 registaram-se 6.672 incêndios rurais, o menor número de incêndios rurais no mesmo intervalo de tempo desde 2011 e menos 47 por cento relativamente à média anual da década (12.528). Os 6.672 incêndios resultaram em 25.961 hectares de área ardida, que correspondem a menos 68 por cento de área ardida relativamente à média anual (79.947 hectares) do período 2011-2021 entre janeiro e agosto. Quanto à dimensão dos incêndios rurais registados em 2021, importa salientar que 82 por cento tiveram uma área ardida inferior a um hectare”.

09/02/2022
 

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