5 de abril de 2017

NA PRESENÇA DO MAJOR-GENERAL ANÍBAL ALVES FLAMBÓ
Proença homenageia combatentes da I Grande Guerra

Os familiares dos Proencenses que participaram na I Guerra Mundial foram convidados a partilhar as histórias que ouviram contar aos combatentes do primeiro conflito mundial, com o objetivo de serem compilados numa futura publicação. O convite à partilha foi deixado por António Silva, durante a apresentação que fez na conferência de homenagem que se realizou dia 25 de março e que tem como objetivo reconstruir uma história menos conhecida dos cerca de 250 Proencenses que foram obrigados a deixar as suas casas para combater em Angola e em Moçambique pela posse das antigas colónias portuguesas e também em França, numa das frentes da guerra de trincheiras que se combateu de 1914 a 1918.
Na apresentação, António Silva mostrou algum do espólio que foi emprestado por privados para a exposição que está patente no auditório municipal até dia 30 de abril, nomeadamente postais trocados entre os soldados e as suas famílias e fotografias da época. A mesma apresentação foi feita na sexta-feira, para três turmas do 9º ano do Agrupamento de Escolas de Proença-a-Nova. Também uma canção feita por João Fernandes, soldado da Cor da Cabra, permanece viva e foi cantada por uma vizinha que a aprendeu quando nova. “Vou para a Guerra da França, minha mãe fica a chorar, todos dizem coitadinho, ai de mim qu’eu vou-me a andar”, foram os versos cantados por Maria do Rosário Alves no momento em que no auditório municipal foram projetados os nomes dos soldados confirmados como tendo combatido nas diversas frentes da I Guerra Mundial.
Refira-se que ainda existem dúvidas quanto a outros soldados que, não tendo nascido no Concelho, tinham as suas raízes em Proença-a-Nova, estimando-se, por isso, que, no total, tenham sido mais de 250 os que viram a sua vida e a vida das suas famílias irremediavelmente afetadas. Apesar de apenas oito Proencenses terem falecido durante o conflito, alguns dos que regressaram acabaram por morrer na sequência de sequelas da guerra e outros mantiveram-se com maleitas resultantes da presença num conflito que vitimou mais de nove milhões de pessoas.
No Parque Nossa Senhora das Neves foi realizada uma cerimónia militar junto ao monumento de Homenagem aos Proencenses Combatentes na I Guerra Mundial que contou com a presença do major-general Aníbal Alves Flambó, que presidiu à cerimónia em representação do general chefe do Estado-Maior do Exército.
No final da homenagem, o presidente da Câmara de Proença-a-Nova, João Lobo, deixou uma mensagem no monumento em que se pode ler: “Para que as gerações de agora e as que virão saibam que um dia houve Proencenses que trocaram as enxadas por armas, as póvoas por trincheiras, o cuidar da terra pela guerra. Não foi uma escolha. Mas não voltaram as costas. Para que o seu exemplo não precise de ser repetido, sinal de que conseguimos utilizar a força do humanismo para, em cada tempo, construirmos sempre a paz”.


05/04/2017
 

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