NOS 60 ANOS DA MORTE DO DIPLOMATA PORTUGUÊS
500 crianças homenageiam Aristides de Sousa Mendes
O centro cívico de Castelo Branco recebeu, na manhã de sexta-feira, cerca de 500 crianças entre os três e os seis anos, oriundas do Centro Social Padres Redentoristas, do Agrupamento de Escolas Afonso de Paiva e do Agrupamento de Escolas de Nuno Álvares, que nesse dia prestaram uma homenagem ao diplomata português Aristides de Sousa Mendes.
O desafio foi lançado a nível nacional pela Fundação Aristides Sousa Mendes, de modo a assinalar os 60 anos da sua morte, e as escolas de Castelo Branco foram daquelas que o aceitaram, dinamizando um programa, que além do descerramento de uma placa incluiu uma coreografia com a pequenada, bem como o lançamento de cerca de 100 papagaios de papel.
A professora Helena André recorda que Aristides de Sousa Mendes salvou muitas pessoas, para adiantar que além da coreografia foram lançados os papagaios de papel, como “símbolo da liberdade”, porque o diplomata “lutou sempre pela liberdade”.
Helena André, quando questionada se crianças com esta idade sabem quem foi Aristides de Sousa Mendes, garante que sim, porque “na escola lhes foi lido o livro Aristides: O semeador de estrelas, de Ana Luz, que dá a conhecer a história de Aristides de Sousa Mendes para crianças”.
A professora Madalena Nunes, por seu lado, realça que a iniciativa teve como objetivo “transmitir aos alunos os valores da liberdade” e sublinha que “muitas vezes as pessoas esquecem-se de olhar pa-ra os outros e cada vez mais é preciso olhar para os outros”.
Na cerimónia esteve também presente o presidente da Câmara de Castelo Branco, Luís Correia, que começou por “agradecer às três escolas por estas terem permitido à Câmara envolver-se”, destacando que “nada melhor do que comemorar Aristides de Sousa Mendes, que fez muito pela liberdade”.
Recorde-se que Aristides de Sousa Mendes nasceu em 1885, em Cabanas de Viriato, Viseu, e morreu em Lisboa, em abril de 1954, tendo-se tornado célebre por ter salvo a vida de mais de 30 mil refugiados, dos quais 10 mil judeus, no decorrer da Segunda Guerra Mundial.
A Alemanha Nazi estava a invadir progressivamente a Europa sob as ordens de Adolf Hitler, iniciando a invasão de França em 1940. Aristides de Sousa Mendes era o cônsul de Portugal em Bordéus e foi nesse cargo que durante cinco dias concedeu milhares de vistos a refugiados.
Algo que foi feito contrariando as ordens de Salazar, o que levou a que este tenha determinado o seu afastamento do cargo a 23 de junho de 1940. De regresso a Portugal o diplomata tenta conseguir uma audiência com Salazar, mas a única resposta é a abertura, a 4 de julho, de um processo disciplinar, que é instaurado a 1 de agosto.
Resultado disso Aristides de Sousa Mendes é afastado da carreira diplomática e fica inclusive interdito de trabalhar como advogado, o que faz com que os últimos anos da sua vida sejam difíceis.
O reconhecimento pelo homem que um dia afirmou que “era verdadeiramente a minha intenção salvar toda aquela gente”, só sucede anos mais tarde.
Em 1987, Mário Soares, então Presidente da República, atribui-lhe, a titulo póstumo, a Ordem da Liberdade, e dois anos depois, em 1989, a Assembleia da República reintegra Aristides de Sousa Mendes no serviço diplomático, por unanimidade e aclamação.
Entre outras distinções, em 1995, é-lhe concedida, a título póstumo, uma das mais altas condecorações nacionais, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo e a Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses (ASDP) cria um prémio anual com o seu nome.
Aristides de Sousa Mendes é homenageado no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, em novembro de 1998, e nas Nações Unidas, em Nova Iorque, em 2000.